Não sei bem se é fanatismo, porque não gosto dessa palavra; prefiro amor. Amor por um clube de futebol? Pois é. Um amor que não me deixa ver o jogo inteiro, sentada na cadeira da sala, sem me levantar, sem andar de um lado para o outro e – pior – sair do recinto. Entendi porque meu irmão não quis ir ao jogo. Ele não conseguiria. Ficar confinado, tendo que ver todo aquele sofrimento, as bolas que batem na mão do goleiro e não balançam a rede. Eu tinha que sair dali, respirar.
Mas não consegui ficar muito tempo longe do jogo. Fui para o quartinho da parte de trás da casa da vovó, sozinha, no calor – estava suando frio mesmo -, para que ninguém visse meu sofrimento e para que eu pudesse sofrer. Eis que surge um velhinho, arrastando seus chinelos, e diz: “Dani, encontra a vela aqui pra mim”. Meu Deus, onde minha avó colocou essas velas? Até que a busca foi rápida, entreguei a vela em suas mãos e ele foi para o quartinho rezar – ou fazer mandinga, dá no mesmo. Fiquei sozinha pedindo para que aquela fé surtisse efeito, até porque a cena foi muito parecida com a final do Campeonato Estadual. Mas não surtiu. O grito de gol não saiu.
No dia seguinte, o velhinho deu baixa no hospital. Talvez pelo nervosismo, talvez pela incrível quantidade de cigarros consumidos ao longo do jogo, talvez pela vida dura que está agora pedindo compensações. Mas sei que os deuses poderiam era estar ocupados no domingo. Convencendo Deus de que levar o velhinho agora é sacanagem – ele ainda tem que ver o Mengo campeão.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
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