
Ontem, quando mami pediu para atualizar o blog, pensei nas coisas boas que aconteceram no fim de semana, e o que tinha sido mais marcante. Para mim, e para nossa família, o mais importante foi, sem dúvida alguma, a vinda do Thiago e da Telma. Mas isso é para os Guedes Rocha, porque para os Guedes bom mesmo é ter o velho Mário ali, ao nosso lado.
E lembrei que tive que implicar com ele para que ele contasse suas histórias. Quando ele disse se lembrar de algo que aconteceu quando ele tinha 6 anos, um cozido em família feito por uma tia, falei: “Ah, vô, pára de mentira!”. Mas era somente para ele começar a falar, sem parar, daquela tarde, da noite em que dormiu com o irmão e a mãe em um quartinho. E os olhos cheios de lágrimas quando se lembra da mãe, a mania de jurar por “aquele ali”, apontando para o quadro de Jesus na parede, e tivemos mais uma história do avô.
Pensei, então, se lembro de histórias de quando tinha 6 anos. E lembrei que lembro do meu avô. Lembro de me esconder no banheiro, porque ele me amava tanto, mas tanto, que me abraçava apertado, e para uma garotinha de 6 anos aquilo era chato. Lembro do sorriso dele. Lembro de quando ele caiu da escada e, caído no chão, me disse algo, que até hoje me culpo por não me lembrar do que era. Lembro, finalmente, de estar na cama dos meus pais, e ver meu pai sentado no sofá, chorando ao telefone, após receber a notícia da morte do meu avô. Lembrei que meu avô Zeca se foi há 20 anos. Eu tinha 6 anos.
Desde então, o vô Mário é meu único avô. Baloeiro, trabalhador, pai de dez filhos, ex-favelado, nos últimos anos um implicante (só me chama de gorda), e um teimoso, que nos dá a alegria de domingo para quase morrer na segunda.