Rio de Janeiro, RJ, 14 de Agosto de 2011
Copa Guedes de Botão é sucesso , com surpresa na final
Tinha tudo pra ser apenas mais um tranquilo dia dos pais no QG dos Guedes: família reunida e churrasco para comemorar mais um dia do pai de uma verdadeira nação. Mas ele próprio estava ansioso por emoção já que havia permitido, com o aval da Administradora (que é quem manda de verdade), há alguns dias, a reinauguração do Estádio Mário e Filhos, que se encontrava em obras desde 09 de Agosto de 2009, quando viu o Gigio ser o último campeão, ganhando do Murilo numa final inédita.
E, se existe algo que une os Guedes é o futebol, mesmo que seja de botão. A calmaria se dissipa e dá lugar a um turbilhão de fatos difíceis de explicar apenas com palavras. Mas, de qualquer forma, essa é a missão de “A Paleta”. Não podemos deixar de mencionar a participação de 2 estreantes que muito abrilhantaram a acirrada disputa: o Geraldo (que, substituindo o Thiago , fez história) e o Emerson (que largou seu posto de churrasqueiro nas mãos do Sandro para poder jogar).
Já estava um pouco tarde para começar o campeonato e cartolas da oposição (Leandro e Marcelo) se aproveitaram do fato de o Marcio (presidente em exercício) ainda estar almoçando (é sempre um dos últimos a terminar) para lançar um torneio alternativo fora dos padrões estabelecidos pela CBFB (Confederação do Bairro de Futebol de Botão). Propuseram, mal-intencionados, um mata-mata logo de cara, o que eliminaria, nos primeiros jogos, a metade dos participantes. Tinham uma intenção clara, que era confrontar, no dia dos pais, pai e filho, os 2 melhores colocados no ranking até então. Aproveitaram-se da inocência do Gigio (que foi muito otário, na verdade) e alcançaram o objetivo arrumando um confronto Gigio e Marcio.
Ameaçando denunciar a armação, Rodrigo, “O italianinho” resolveu falar, mas não negando a raça, juntou-se aos mafiosos. Agora podemos abrir parêntesis para explicar o motivo da fraude. Escuta-se nos bastidores do Futebol de Botão que o Leandro, inconformado com a visível queda de rendimento do seu futebol ( segundo dados da FHEFB – Federação de Historia e Estatística do Futebol de Botão, apesar de ter sido campeão nas duas primeiras edições, não vencia uma partida desde 13 de Agosto de 2006, há três edições), pensava numa maneira desesperada de recuperar seu posto de líder no ranking, sendo capaz até de perseguir, por várias vezes, o Marcio em uma banca de jornal no bairro de Vicente de Carvalho.
Nessas ocasiões não dava chance de o Marcio chegar na frente para filar as notícias, da mesma maneira que o deixou desinformado na hora do sorteio. Assim, não só tramou o confronto entre pai e filho como definiu (de alguma maneira) que o inexperiente Emerson fosse seu adversário. Polêmicas à parte, sob protestos de parte da torcida, o que chamou a atenção da administradora, que com um olhar 43, por pouco não cancelou o torneio, conforme imagens em vídeo captadas pela jornalista da “La Pelota” Dani Guedes, que continua devendo uma matéria sobre a decadência do Baixinho.
O “sorteio” continuou e definiram-se os outros 3 confrontos: Junior x Manoel, Marcelo x Murilo e Mauro x Geraldo. O Mauro não parava de rir ao olhar seu futuro adversário encostado num canto da casa bebendo sua cerveja (além de não jogar há muito tempo, parecia em coma alcoólico). Teve início o campeonato (ou copa, sei lá) com uma vitória fácil por 3 a 0 do Leandro sobre o Emerson, embora todos acreditassem numa grande performance do estreante, por suas grandes habilidades futebolísticas (há controvérsias). Entretanto, provou que como jogador de botão é um bom churrasqueiro.
A segunda partida era aquela tramada pelos organizadores do torneio. Voltando às informações dos bastidores, era comentado que todos esperavam que o Marcio (temido por alguns competidores) deixasse seu filho ganhar, sendo esse um adversário mais fraco na briga pelo título. Entretanto, o esperado não aconteceu, e o Marcio venceu por 4 a 2, sem comemorar os gols, mas mostrando um futebol de alto nível e deixando os adversários receosos (pra não dizer que estavam com medo).
Depois, numa partida que se tivesse nome seria “Tudo pode Acontecer”, o Junior venceu o Manel por 3 a 1. Aliás, o Manel decididamente entregou o bastão de quizumbeiro e osso duro de roer para o Leandro. Chegava assim a hora da partida que parecia já ter um vencedor: Mauro, o grande Baixinho, com toda sua história no botão (cada dia mais longe das glórias e perto da segundona) cantava e dançava frente ao Geraldão que parecia estar já pra lá de Bagdá. O Geraldo podia até ter bebido muito, ter ficado muito tempo longe dos gramados, mas ele tinha confiança e a torcida a seu favor.
Torcida essa que presenciou e vibrou com um gol relâmpago seu, logo depois da saída, jogando a pressão pro Baixinho, que logo empatou. Acontece que o Baixinho vem se especializando em sofrer derrotas incríveis como aquele 5 a 2 pro Marcelinho em 2009. Em mais um Maracanazzo (ou Guadalupazzo), o Baixinho tomou um gol de goleiro do Uruguai ou Santo André ou LDU ou do Geraldo mesmo. Tentou reagir, até empatou, mas, nos pênaltis, o Geraldo mostrou que estava calibrado (literalmente) e aclamado pela torcida, sob gritos de “UH, UH, É GERALDÃO”, fez história e avançou à próxima fase.
Na última partida da fase, o Marcelo, voltando de um longo gancho imposto pelo STJB (Superior Tribunal de Justiça do Botão), avançou à outra fase ao vencer o Murilo, que como o Madureira do Botão, só às vezes apronta. Sobraram 5 participantes e logo o Leandro (muito estranho) avançou à fase seguinte por sorteio. Nos novos confrontos, o Marcio esculachou o Marcelo (6 x 2) iniciando sua vingança, e o Geraldão sucumbiu ao futebol eficiente (lembrando os times do Murici) praticado pelo Junior (2 x 0), que avançou direto pra final esperando o vencedor de um grande duelo entre Marcio e Leandro.
Estava armado o palco para a consolidação da vingança. O jogo começou equilibrado, mas no fim o Marcio atropelou o Leandro (6 x 3). A final era uma reedição da de 07 de outubro de 2005, quando o Junior venceu. Era o confronto de dois estilos de jogo diferentes, do melhor ataque contra a melhor defesa. No tempo normal, 3 a 3 e, nos pênaltis, valeu a categoria e frieza do Junior, que converteu os cinco, deixando toda a responsabilidade para o Márcio que, contra a torcida, perdeu o quarto pênalti. Junior foi o festejado campeão.
A Paleta orgulha-se pela cobertura de mais um domingo especial, quando competidores e torcida não economizaram em alegria e descontração. Mal terminou o evento, a galera já está pensando no próximo. Que bonito é ver a família reunida, alegre e feliz, mantendo viva a tradição do Botão dos Guedes.
Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes
Jogador de Botão e Rubro Negro