quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Esportes A Paleta 2ª feira, 23 de Março de 2009

O novo velho futebol de botão volta empolgar. Mesmo com novas tecnologias e regras, os dinossauros vencem.
Ele voltou. O mais emocionante campeonato de botão do mundo recomeçou no último domingo, 22 de março de 2009. Após mais de 2 anos de espera , o torneio recomeçou com uma surpreendente organização dos antes super-desorganizados dirigentes-jogadores. Liderados por Márcio “Miranda” Guedes, os cartolas conseguiram uma liminar permitindo a realização do campeonato no estádio Mário e Filhos. Além disso, junto ao STJB ( Superior Tribunal de Justiça do Botão), suspenderam o pedido da administradora do estádio, que exigia a realização dos jogos do “Baixinho” (sempre ele) com os portões fechados . A administradora alegava que possíveis atos de discriminação poderiam afetar o rendimento do Baixinho.
Superados os problemas extra-campo, foi possível percebermos uma grande inovação tecnológica na elaboração da tabela do torneio. O cartola Márcio “Miranda” Guedes apresentou a tabela inteligente, que atualiza os resultados em tempo real. Muitos temeram mais uma armação. O Murilo insinuou que a tabela foi planejada com a ajuda dos antigos camaradas militares do Márcio que serviram no SNI. A acusação era que a tabela seria dirigida para nunca haver um confronto entre ele e seu filho antes da final. Assim, chegou a hora de “sortear” os grupos. Todos queriam cair no grupo do Baixinho já que seria uma vitória garantida. Porém, formou-se um grupo muito forte e outro muito fraco, com a presença do Baixinho, Marcelinho, Thiago, Manel e Márcio “Miranda”( muito suspeito).
Casa cheia. O Sandro, que abandonou prematuramente o botão, tomava conta do churrasco com a promessa dos dirigentes mandarem-no para um curso de especialização em Pelotas para assumir, definitivamente, o lugar do Geraldão.
Como sempre, surge uma nova polêmica. O cartola Marcelo (dono da mesa e dos botões) exige uma mudança na regra. Os toques na bola passam a ser limitados para apenas 6 por jogada. Além disso, surge uma outra inovação que já está sendo discutida na FIFB ( Federação Internacional de Futebol de Botão) : presença de um árbitro imparcial ( o que nem sempre acontece) e um bandeirinha. Infelizmente, o bandeirinha Guilerme foi muitas vezes expulso dos jogos por atrapalhar a locomoção dos jogadores. Nada que uma geladeira não resolva.
Polêmicas à parte, o campeonato começa tranqüilo e com uma ordem nunca antes vista. No grupo A, o Marcelo começou empatando 3 partidas, ficando numa situação muito difícil. Precisava vencer o Gigio (até então invicto) e torcer por outros resultados. Por isso, enquanto corriam as outras partidas do grupo, em que Leandro e Murilo também tentavam a classificação, foi buscar em casa a sua esposa Marlene para reforçar sua torcida. Seguindo o campeonato, Leandro, Murilo e Junior prometeram uma mala branca para o Gigio vencer e eliminar o Marcelo. No final, 1 a 0 para o Marcelo e classificação assegurada para as semifinais. Leandro, Murilo e Junior foram eliminados e o Gigio não ganhou mala nenhuma.
No grupo B, o Baixinho começou a todo vapor; 2 vitórias em 2 jogos e uma sensação de que, dessa vez, nada o seguraria. Thiago, o contestador que ameaçou não disputar o campeonato fez apenas 6 pontos em 4 jogos e esperava por milagres; sendo um desses uma vitória do Marcelinho contra o afiado e arrasador Baixinho. O então campeão Manel decepcionou e mostrou que sua última conquista foi por mero acaso. Ele alegou que sua péssima performance estava relacionada a Crise Econômica Mundial. Enquanto isso, Márcio “Miranda” Guedes passeava e se classificava com facilidade, apenas aguardando seu confronto com o Baixinho, que tomava sua cervejinha e comemorava sua classificação antecipada. Mas, definitivamente, os deuses do botão voltaram-se contra o Baixinho. Ele, que precisava apenas de um empate contra o jovem Marcelinho, foi alvo de uma terrível sucessão de momentos sobrenaturais. Gol contra, gol de goleiro, gol fantasma... Enfim, Marcelinho parecia que tinha incorporado alguma coisa, pois suas mãos jogavam sozinhas. O baixinho foi esculachado e o Marcelinho, definitivamente, fez história. Mas o Baixinho é uma pessoa muito admirada por não desistir nunca. Restava uma partida. Ele teria de vencer o Márcio (dono do Zico – vocês lembram?). Adivinha o que aconteceu. O Baixinho perdeu e deu adeus à competição, classificando o Thiago. A vingança veio a cavalo.
Chegamos às semifinais. O golpe tramado nos porões do Maracanã estava para acontecer. Bastava o Gigio vencer o Thiago e o Márcio ganhar do Marcelo. Porém, havia uma pedra, ou melhor, um Rocha no caminho do Gigio. Na prorrogação o Thiago marcou o gol do jogo e foi à final. Na outra semifinal, duelo de veteranos. Em partida conhecida como “A Batalha de Guadalupe”, Márcio “Miranda” derrotou o Marcelo (mesmo com torcida) nos pênaltis. Nessa partida também foi verificado um tremor nas mãos do Marcelo caracterizando uma espécie de mal de Parkinson.
Na disputa pela medalha de bronze, Marcelo era a desmotivação em pessoa. Sem conseguir nem falar após a derrota na semi, foi derrotado pelo Gigio. Na final, Marcelina e seu marido Geraldão, entusiasmados com a performance do bebê gigante ensaiaram um “Vai Thiago”, fazendo alusão a um nadador brasileiro que foi a Pequim apenas para fazer turismo, algo semelhante ao que o nosso Thiago viera fazer no campeonato. Não deu. Mais uma vez, os dinossauros venceram. Márcio campeão.
Parafraseando um grande samba-enredo da querida União da Ilha do Governador, “Há os que vão pra praia, pra cachoeira ou pro mar, mas como eu gosto de botão, vou pra casa da mamãe paletar .” A Paleta espera ansiosamente pelo próximo encontro.

Marcio Guedes
Jogador de Botão e Rubro Negro

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