terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pro Mengo ser campeão

Não sei bem se é fanatismo, porque não gosto dessa palavra; prefiro amor. Amor por um clube de futebol? Pois é. Um amor que não me deixa ver o jogo inteiro, sentada na cadeira da sala, sem me levantar, sem andar de um lado para o outro e – pior – sair do recinto. Entendi porque meu irmão não quis ir ao jogo. Ele não conseguiria. Ficar confinado, tendo que ver todo aquele sofrimento, as bolas que batem na mão do goleiro e não balançam a rede. Eu tinha que sair dali, respirar.

Mas não consegui ficar muito tempo longe do jogo. Fui para o quartinho da parte de trás da casa da vovó, sozinha, no calor – estava suando frio mesmo -, para que ninguém visse meu sofrimento e para que eu pudesse sofrer. Eis que surge um velhinho, arrastando seus chinelos, e diz: “Dani, encontra a vela aqui pra mim”. Meu Deus, onde minha avó colocou essas velas? Até que a busca foi rápida, entreguei a vela em suas mãos e ele foi para o quartinho rezar – ou fazer mandinga, dá no mesmo. Fiquei sozinha pedindo para que aquela fé surtisse efeito, até porque a cena foi muito parecida com a final do Campeonato Estadual. Mas não surtiu. O grito de gol não saiu.

No dia seguinte, o velhinho deu baixa no hospital. Talvez pelo nervosismo, talvez pela incrível quantidade de cigarros consumidos ao longo do jogo, talvez pela vida dura que está agora pedindo compensações. Mas sei que os deuses poderiam era estar ocupados no domingo. Convencendo Deus de que levar o velhinho agora é sacanagem – ele ainda tem que ver o Mengo campeão.

4 comentários:

  1. É minha irmã, assim como nós, milhares de corações rubro-negros sofreram e bateram mais forte neste último domingo e devemos nos preparar pois amanhã tem mais emoção e sofrimento, Deus queira que seja só emoção e que não haja sofrimento, este time, este clube, desperta um sentimento inexplicável, uma sensação surreal, só te digo uma coisa, assim como meu avô, eu vou aguentar firme e no dia 06/12/2009, no outro domingo, eu estarei no Maracanã comemorando mais um título do mengão, esse título com um sabor especial, pois será o primeiro título brasileiro do qual eu de fato participarei intensamente, e para manter a tradição, trarei a FAIXA DE CAMPEÃO BRASILEIRO DE FUTEBOL 2009 para o nosso querido "velho".
    Saudações Rubro-Negras e que os deuses do futebol estejam conosco nesta reta final.

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  2. O velhinho vai ver o mengão campeão.Os deuses não seriam tão injustos, foi sem dúvida nenhuma, uma vida de total entrega pra esse mengão.Quantos cigarros fumados,quantas noites mal dormidas, quantas discussões acirradas com o pobre Mauro.Voce acha que isso não entra no balanço geral? Só falta isso pra ele se sentir totalmente realizado...
    Amei tua crônica.Beijos!

    Por Elizabeth.

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  3. Queridos rubro-negros,

    Tenho o orgulho de fazer parte do DNA rubro- negro da família Guedes, pois fui o primeiro dos homens da família que rompeu com a onda alvi-negra que rondava perigosamente, o perigo morava ao lado. Mauro e Marcelo seduzidos pela selefogo e pelos primos ignoraram a paixão do Papai e tornaran-se sofredores pelo resto de suas vidas.
    Minha paixão pelo flamengo teve como inspiração a devoção do Papai em torcer pelo Mengão. Muitos torcedores costumam dizer que o Flamengo é uma religião e eu, particularmente, afirmo que sim, pois quando criança, admirava meu papai debruçado no velho rádio a ouvir todos os dias às seis horas a Ave Maria com Julio Louzada, e aos domingos com a mesma devoção diante do velho rádio torcer para o Flamengo e se emocionar a cada conquista, me levando a pensar na minha inocência, que deveria ser muito bom torcer pelo flamengo . Não poderia escolher outro caminho, e acompanhar o Papai nesta paixão me dá a convicção que torcer para o flamengo é uma religião.

    Temos que retribuir esta herança maravilhosa que papai nos proporcionou, sugerindo que façamos uma festa para comemorar o título e lançar a mais nova torcida do Mengão , a " FLAGUEDES", com o baixinho assinando como sócio fundador.

    Um beijo no coração de todos os rubro-negros,

    Marcio

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  4. Não sei se o que nos faz torcer com tanta força é a paixão por um time ou a alegria de ver o velhinho realizado. Esse ser hoje tão frágil é uma parte importante de cada um de nós. Seus amores também são nossos: O mengão, o carnaval,Dalva de Oliveira e até Suzana Vieira.
    Afinal de contas, ele tem razão. Esse time tem alma própria. Não depende dos Zicos e Adrianos. Fala por si só. Deixa Ronaldos frustrados e alvinegros e tricolores enciumados.
    Outro dia passei por uma experiência ímpar. Peguei o metrô no Estácio junto com a torcida tricolor em dia de final de campeonato sul americano (Ufa!!). Fora o incômodo do trem cheio até o maracanã, qual foi minha surpresa ao perceber que eles entoavam hinos que falavam mal do flamengo e do torcedor rubro-negro. Não estava entendendo nada, afinal de contas o adversário era o LDU, e o mengão nem estava na disputa do campeonato. Queria perguntar por que? por que? por que? Desisti quando percebi que eu era quase a única "civil" no meio daquele exército pintado de três cores. Podia acabar com o olho meio vermelho e preto, quase roxo...

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